Descascando #78
Liberdade ou desorganização?
Por Nut. Lu Sobroza
Acabo de tomar uma atitude! Desligar meu despertador recorrente das 07h31 e ativar o das 05h45. Vinha usando esse segundo horário em dias que queria sair para pedalar de manhã ao invés do tradicional horário da noite. Específicamente hoje, acordei bem antes do sol e, diferente dos outros dias, escolhi não pedalar. “Vou então fazer yoga! Aproveitar que já estou de pé!”. Nem lembro a ultima vez que tnha desenrolado meu tapetinho, e enquanto fazia todos os movimentos contemplados na saudação ao sol pensava o quanto estava adorando estar ali. Estar ali, ter acordado com calma sem estar calculando quantos minutos vou me atrasar, fazer um skincare leeeeento…
Sentindo todos esses benefícios foi que me veio a percepção: quando foi que eu assumi que preciso dormir todos os minutos possíveis antes de ter que sair de casa? Quando foi que acordar cedo virou um castigo e, depois de ter atingido a incrível autonomia da vida adulta, eu escolho compulsoriamente não aproveitar o dia cedinho? Eu realmente não gosto de dormir até mais tarde ou não paro pra pensar sobre desde a época em que participava de uma comunidade no orkut chamada “eu odeio acordar cedo”?
Claro que eu fui além, relacionando tudo isso com o conceito de organização e com o fato de ter estudado de manhã a vida toda, e também com ser aquariana e meio rebelde, decidindo que liberdade era fugir o máximo possível das regras de quando era criança e que organização era uma forma de cercear essa liberdade (sim gente, eu vou longe!). Sei que quando estava de ponta cabeça fazendo o cachorro olhando pra baixo pensei “talvez a organização não seja algo tão ruim assim”. Choque! Ajuda a praticar exercício, se alimentar melhor, se relacionar com os outros, tudo! E por mais que a rebeldia de ir vivendo tudo no freestyle seja tentadora, o preço que ela cobra não é tão chic quanto ela faz parecer.
Olha, esse retorno de saturno tá babado mesmo, gente. Está nascendo uma nova mulher!
Até a próxima,
Lu ♡
Quem tem medo de fruta?
Por Nut. Luíza Tavares Kroeff
Volta e meia essa história do medo das frutas volta à tona. E, entre todas elas, a banana costuma ser quem mais sofre com a má fama da categoria. Volta e meia o abacate também sofre ataques. E eu sempre digo a mesma coisa: frutas são alimentos que, pra maior parte das pessoas, podem ser consumidos sem restrição. Sim, até a banana e o abacate.
Digo quase todas as pessoas porque existem alguns tipos de alergia ou restrição de algumas variedades, mas são condições muito específicas. Assim, pro público geral, o que realmente deveria guiar a quantidade do consumo é a fome e a saciedade. E, ainda, uma recomendação padrão de, pelo menos, umas três variedades por dia - claro, pra quem esse acesso for possível.
Agora um papo bem de nutricionista, peço paciência. Vamos lá. Grande parte dessa preocupação vem da ideia de que as frutas “têm muita frutosa”, “são muito calóricas”, “engordam” ou “fazem aumentam a glicemia”. Na prática, isso ignora um ponto fundamental: a fruta não é frutose isolada, muito menos tem açúcar adicionado. Ela é uma matriz alimentar composta por água, fibras, vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos que modificam a forma como esses açúcares são absorvidos pelo organismo. E nem são tão calóricas assim, convenhamos.
Além disso (mais papo de nutri) quando se olha para as evidências científicas - e, dentre elas, o nosso maravilhoso Guia Alimentar para a População Brasileira -, o consumo habitual de frutas está associado a menor risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e mortalidade precoce. Não existe evidência de que comer frutas, mesmo as mais doces, seja um fator responsável pelo ganho de peso em pessoas saudáveis. Pelo contrário: por promoverem saciedade e substituírem alimentos ultraprocessados, elas justamente costumam contribuir para uma alimentação de melhor qualidade.
Eu ando nessa vibe atualmente, um pouco obcecada pelas frutas. Nessa última semana as escolhas foram: pera, laranja, bergamota, morango e banana - sem contar aquele potão com mix de frutas pronto do supermercado. É caro? É. Mas, para mim, vale muito o custo-benefício: é prático, gostoso e aumenta muito a chance de eu realmente comer fruta no dia a dia.
No fim das contas, o excesso de preocupação com alimentos naturalmente saudáveis também pode ser parte de um comer transtornado e, inclusive de um transtorno alimentar mais grave. Especialmente porque acaba desviando a atenção do que realmente importa: construir uma relação mais tranquila com a comida.
Ah, e claro, um dos melhores benefícios de comer fruta: fazer cocô bonito.
Até a próxima!
Luíza
Catarse
Por Nut. Juliana Gil
Quando iniciei a graduação em psicologia, ouvi falar que o curso nos tocava profundamente em partes e nos instigava em outras. E eu passei por dois momentos, o primeiro de pensar que não me afetaria tanto assim por já fazer terapia por tantos anos. O segundo, como ouvi, de perceber uma transformação acontecendo e de partes minhas sendo reviradas de formas sutis, mas profundas. Absurdo!
E, de algumas coisas que percebi, a que mais tenho aproveitado é a busca por personagens complexos. Por sentir coisas complexas a partir deles, eu diria. Na disciplina de Arte e Criatividade na Interface com a Psicologia, vimos muito dessa catarse que a arte nos permite viver. Não podemos confundir com a catarse da psicanálise, essa que trago é de Vigotski.
Para Vigotski, a catarse trata-se de um processo em que emoções contraditórias entram em conflito e são reorganizadas, produzindo um novo modo de sentir e compreender a realidade. E o “veículo” para essa catarse é a arte.
Puxando o gancho para Toy Story, que está aí em cartaz com o quinto filme, e toca profundamente milhares de pessoas por todo o mundo. Acredito que todas passaram e ainda passam por, ao menos, uma catarse por filme, me fez repensar o que me fazia não gostar desse universo dos brinquedinhos com medo de serem abandonados pela criança deles!
Não me entendam mal, podemos não gostar de um filme por diversos motivos. Mas, no meu caso, percebi que eu não tolerava o desconforto, as emoções contraditórias, que a Ju criança sentiu ao assistir o primeiro e o segundo filme. Evitei reassistir por muitos anos, por nenhum critério assistiria novamente.
Só não esperava que a psicologia ia me fazer voltar atrás e procurar entender essa complexidade. Convenhamos que a disney/pixar gosta de fazer filmes profundos né!!! Mas, retomando, eu já assisti o primeiro e o segundo filme no último final de semana e, minhas queridas, senti tudo que a Ju criança sentiu. Parecia que tava doendo, “sem dor”, sentir cada emoção provocada pelo filme.
E, no fim, a disney/pixar conseguiu me ganhar aos 28 anos com Toy Story. Posso dizer que consegui viver minha catarse e viver a mensagem do filme. Vigotski acertou muito na teoria da Psicologia da Arte, um divo.
Até a próxima,
Ju :)
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Dicas
Dica da Lu
“Curb Your Enthusiasm” na HBOmax
Voltei assistir essa! Não adianta, a mente de Larry David, pra mim, é uma das maiores que temos. A outra cabeça por trás de Seinfeld, inspirou o personagem do George e, nessa série interpreta ele mesmo, vivendo sua vida, só isso. Depois de 12 temporadas, chegou ao fim então não precisa ficar esperando a temporada nova (odeio).
Dica da Luíza
“A Avaliação” (The Assessment) é um thriller psicológico de ficção científica lançado em 2024. Encontrei por acaso, rodando o Prime Video e super recomendo!
O filme se passa em um futuro em que as mudanças climáticas e o colapso ambiental levaram a uma sociedade altamente controlada, os recursos são tão escassos que ter filhos deixou de ser um direito e passou a ser um privilégio concedido pelo Estado. Assim, toda a trama acontece quando um casal bem-sucedido é examinado por uma avaliadora durante sete dias para determinar sua aptidão para ter filhos.
Dica da Ju
Trouxe outra sugestão de livro, puxando sobre o que escrevi acima, com personagens complexos. A história traz a visão de uma mãe de família através do diário em que ela começa a se redescobrir mulher além do papel de esposa, mãe e filha. Esse livro é, por vezes, tedioso, mas não deixa de ter potencial de impacto numa vida simples.
Tchau!👋
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Bjs, Lu, Luíza e Ju






