Descascando #74
Junho chegando e o cheirinho de quentão já começou a aparecer por aí :)
Chamem os divertidamentes!
Por Nut. Lu Sobroza
Esfriou. E com isso tem ficado mais difícil de arranjar o ânimo para pedalar. E se nas mais perfeitas condições eu já acho motivo pra me estressar com algum motorista, algum inseto que voou na minha direção ou algum outro ciclista na contramão, imaginem passando frio ou com um vento mais cortante que o normal. Foi então que ouvi de uma pessoa próxima a seguinte frase: “tu é a única pessoa que vai pedalar pra desestressar e se estressa mais ainda”. Ri. Concordei! Mas fiquei pensando.
A conclusão da reflexão veio na volta de um pedal. Passei sim por todos os estresses que já estou acostumada, mas notei que chegando em casa eles já tinham se diluído. Percebi então que é sempre isso que acontece. Eu saio de casa, me irrito com tudo e todos, sinto raiva, e volto pra casa descarregada. Como se tivesse me permitido sentir aquelas emoções e dado tchau pra que elas fossem embora.
Quer dizer, já lançaram 2 filmes do Divertidamente ensinando que todas as emoções são válidas e importantes, e ainda assim julgamos umas ou outras! É bom sentir raiva (eu juro que não agrido ninguém quando estou pedalando, ok?)! Assim como todas as outras coisas que sentimos são importantes e nos ajudam a lidar com essa vida louca vida.
Foi assim que percebi que tudo bem querer matar um enquanto estou pedalando de trancinha no cabelo ouvindo Mariah Carey no fone, já sei que isso vai me fazer voltar mais plena do que antes :)
Até a próxima!
Lu ♡
Último texto antes de mudar de nome
Por Nut. Luíza Tavares
Na próxima semana, já é meu casamento - ou melhor, é o dia do registro em cartório, o que realmente importa, no sentido legal e burocrático. Portanto, esse é meu último texto com esse sobrenome, antes de adicionar o do meu futuro marido. Calma lá. Segurem as pedras, feministas! Estou com vocês e quero contar um pouco sobre essa escolha.
Eu sempre detestei o meu nome completo. Tenho um último sobrenome que eu não uso e odeio desde que me entendo por gente. Ainda que, no dia a dia, eu pudesse ocultá-lo, o nome inteiro sempre vem à tona. Seja em uma consulta médica, a compra de uma passagem, uma assinatura no Gov e o pior: a citação acadêmica.
Esse nome não é nada demais. É justamente, Ele, o sobrenome mais comum no Brasil. Presente em mais de 34 milhões de brasileiros, cerca de 17% da população. E tá tudo certo com o nome em si, mas eu não gosto, especialmente, como ele veio parar na minha história.
Eu herdei o Silva do meu pai biológico e, cresci, com meu pai socioafetivo em Bento Gonçalves, onde os sobrenomes - e de quem se é filho - importam muito. Obviamente, importam por um motivo estúpido e classista, mas pra uma criança isso pouco importa. Eu queria muito que aquele sobrenome fosse meu. Também doía muito ouvir, diversas vezes, que os laços são feitos exclusivamente pelo sangue e que aquele nome italiano, difícil de ser pronunciado e escrito, não era meu por direito.
Fan fact: as paternidade socioafetiva foi reconhecida e eu poderia ter escolhido esse sobrenome também. rs
Eu acho muito engraçada essa história de sangue, já que uma das principais formas de se apropriar de outro nome é pelo casamento, que - em princípio - não tem nada a ver com sangue. Outro argumento que me incomoda profundamente é a ideia de que as mulheres devem abraçar seus nomes e não abrir mão deles por um homem.
Pra mim não faz muito sentido porque, basicamente, toda a “linhagem” é masculina. Tavares não veio da minha mãe somente. Veio do meu avô - que, inclusive, já agrediu a minha avó. Tavares também não carrega uma história essencialmente bonita. Ainda que seja minha identidade, e por isso decidi mantê-lo, não acho que seja uma atitude tão grandiosa assim manter o nome.
Sinto que as pessoas tentam trazer uma “pureza” ao sobrenome que não existe. É tudo uma mistura de gente, conduzida por uma herança baseada em gênero, que não diz muita coisa sobre quem se é. E eu sei que eu me contradigo quando decido tirar um sobrenome comum. Mas também é minha maneira de me apropriar da minha história e escrever outro nome, com uma identidade que faz mais sentido no contexto que eu vivo. Ao fim e ao cabo: é a minha escolha.
Ah, e se a gente se divorciar? Agradecerei a herança do nome.
Até a próxima!
Luíza
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Dicas
Dica da Lu
Eu amo muito o Cazuza. Enquanto pessoa mais ainda do que enquanto artista. Tanto que durante um dos episódios desse documentário da Globoplay eu, chorando, lancei as aspas “acho que o Cazuza e eu temos alguma conexão espiritual”. Sei lá, acho que não preciso falar mais nada sobre essa indicação, né?
Dica da Luíza
Na série recente da Apple Tv, Elle Faning estrela Margo’s Got Money Troubles, uma série que fala sobre maternidade solo e, especialmente, sobre os estigmas das trabalhadoras sexuais digitais. Para mim, a série tratou do tema com bastante delicadeza e de uma forma muito divertida. Já está diponível na íntegra no streaming e dá pra maratonar em um final de semanal.
Tchau!👋
Desejem boas energias pra noiva e pros pombinhos <3
Bjs, Lu e Luíza




