Descascando #70
Oie! O coelhinho chegou :)
E SE fosse páscoa todo dia?
Por Nut. Luiza Sobroza
Sei que parece que estou indo contra a maioria dos discursos de “páscoa é só uma vez no ano, pode comer seu chocolate tranquilo” mas eu juro que não estou! Só que eu estava refletindo nos últimos dias, enquanto via no Instagram aquela quantidade absurda de vídeos de ovos recheados, barras recheadas, bombons recheados… (que delícia), sobre o quanto deixar o acesso a essas delícias apenas na páscoa pode dar uma bagunçada na forma que vemos a coisa.
Pensem comigo, se eu não me permito comer chocolate na rotina por achar que é algo que vai me fazer mal, engordar, ou por achar que “não é saudável”, como vamos conseguir ter uma relação boa com ele quando chegar a páscoa? Quer dizer, por mais que entendamos que é só um feriado no meio de 365 dias no ano, esse feriado provavelmente ainda vai trazer sentimentos negativos, culpa, ansiedade, comer ainda mais do que realmente tinha vontade já que “só posso hoje”.
Pelo amor de deus, não quero tirar a leveza e sabor do feriado de ninguém, eu mesma estou ansiosíssima pra comer alguma coisa bem recheada. O que eu quero é trazer essa mesma leveza pro resto do ano, lembrando que nenhuma “deliciosidade” deveria ser proibida sem motivo.
Por isso acho importante deixar claro que não estou falando necessariamente sobre comer só um pedacinho de 20g do ovo recheado e guardar o resto no freezer. Sim, essa é uma estratégia válida, que tem muito a ver com o que estou falando aqui e com boa relação com a comida. Mas estou querendo atingir um nível de liberdade alimentar, em que tu saiba que, tendo uma boa relação com o chocolate, tu consegue não só comer um pouco e congelar, mas também exagerar no feriado sabendo que vai ficar tudo bem, pois afinal, a páscoa é só uma vez no ano.
Lu ♡
Nem todo ultraprocessado nasceu ultraprocessado
Por Nut. Luíza Tavares
Eu tinha uma implicância com o alfajor ser reconhecido como uma comida típica de alguns países latinoamericanos. Achava um pouco complicado um produto ultraprocessado representar um produto cultural, sabe? Até que, durante a minha aula de espanhol, a professora propôs um exercício de buscarmos a origem de alguns pratos típicos do Chile e eis que, pra minha supresa, lá estava o alfajor.
Percebi que fui ignorante, limitada anteriormente pela forma como conhecço os alfajores hoje em dia. Não havia me dado conta que, claro, a história não começou ontem. E a origem do alfajor como entendemos hoje é super interessante - e não surgiu com a Milka nem com a Punta Ballena.
Minha busca se concentrou no Chile, mas é suficiente pra reflexão: o alfajor tem suas raízes na culinária árabe, chamado de “al-hasu”, algo como “o recheio”, inicalmente como um doce de mel e frutos secos. Me lembrou um pouco um torrone recheado. Depois chegou na Espanha durante a invasão muçulmana e, na sequência, trazido para as américas pelos colonizadores.
Há algumas diferentes versões, de acordo com a região no país, com bolachinhas finas e crocantes recheadas com doce de leite - também chamado de manjar, no chile. Também são feitos com a bolachinha mais macia, doce de leite e coco ralado na volta. Há outro, ainda, com um tipo de açúcar de confeiteiro em volta. E, tradicionalmente, feitos de forma artesanal e sem cobertura de chocolate.
Essa reflexão veio a calhar porque vou passar a Páscoa no Uruguai. Gosto muito de chocolate e do alfajor industrializado também, não vou negar, mas esse incômodo da valorização do ultraprocessado como tradicional já vinha há algum tempo. Também me incomoda quando trazem os ovos de páscoa “artesanais” feito só com produtos prontos e, novamente, ultraprocessados: chocolate, nutella, kinder bueno e companhia. Há pouco de caseiro de verdade ou feito com ingredientes de base.
Enfim. Hoje tô a chata do sistema alimentar atual. Em todo caso, talvez na Páscoa, de todas as datas, seja um dia pra aproveitar o chocolate que está disponível, ainda que seja um alfajor industrializado uruguaio - ao menos, é uma delícia, fazer o quê.
Até a próxima!
Luíza
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Dicas
Dica da Lu
Aplicativo de fazer exercício. Preparem-se, essa é a minha dica de hoje. Muita gente já deve conhecer o GymRats, mas eu entrei nessa durante o mês de março em um grupo com amigos cujo objetivo era “não vamos competir, vamos só nos motivar”. Acabou que eu me descobri um pouco competitiva, hehe. Mas eu achei que ele realmente funciona para a motivação, principalmente pelas nossas regras: qualquer forma de movimento vale, qualquer duração de exercício, o importante é mexer o corpo. Ver que teus amigos estão se mexendo funcionou muito pra mim, vai que era o que vocês estavam precisando por aí também!
Dica da Luíza
Hoje vamos de série policial mais antiga, mas muito boa pra quem gosta do tema! Se chama “The Night Of” e está disponível na HBO. A história é centrada no assasinato de uma mulher em Nova Iorque, bem no estilo Law & Order SVU.
Tchau!👋
Desejamos um ótimo feriado - e com uma boa notícia de que logo mais teremos mais descansos previstos, dia 21 de abril, depois 1º de maio, depois 4 de junho… aí sim :)
Bjs, Lu e Luíza





