Descascando #69
Pensando sobre não pensar
Por Nut. Luiza Sobroza
Hoje li uma entrevista do Harry Styles falando sobre ter começado essa história de correr maratonas. Não exatamente uma entrevista qualquer, uma conversa com Haruki Murakami, autor do livro “Do que eu falo quando falo de corrida” que Harry diz ter sido a obra que o fez acreditar que era capaz de correr uma maratona. Durante o papo, eles compartilharam suas percepções sobre corrida, vida, trabalho… e nisso um trecho me chamou a atenção, onde eles trazem suas percepções sobre pra onde a mente vai durante a corrida.
“Quando estou correndo, é quando tenho tempo para pensar muito sobre o que estou criando e sobre outros aspectos da minha vida.” - Harry Styles
“Quando estou correndo, estou apenas correndo. Não penso muito.” - Haruki Murakami
Eu acho que os dois tem um ponto. Vou explicar. Quando trago pra minha realidade, andando de bicicleta é o momento em que consigo ficar longe de celular, notificações, pessoas falando comigo, é o momento em que sim, minha mente fica “vazia”. Mas esse esvaziamento normalmente não dura muito tempo, logo vem pensamentos, reflexões, coisas que trazem um barulho de volta pra minha mente, e é aí que mora a beleza da coisa.
Quando existe essa falta de estímulos e o silêncio consegue ter espaço, ele da abertura para esses pensamentos que muito provavelmente não conseguiriam chegar sozinhos, sem o espaço reservado pra eles pelo vazio. Quando eu não penso em nada, é quando consigo pensar em outras coisas - inclusive ter ideias. Coerentemente percebi isso durante um pedal. Em um dia horroroso, cheio de vento, tive uma percepção que achei tão boa que, ainda pedalando, peguei o celular e gravei um áudio para mim mesma garantindo que não ia esquecer.
É louco como a gente precise ativamente buscar esses momentos que nos permitem ter espaço, né? Uma atividade meditativa como cozinhar, fazer yoga, correr, fazer crochê, pedalar… me parece que deveria ser natural termos momentos no dia dedicados a isso.
Mas, já que não é, fica o lembrete: morte ao capitalismo e vamos dedicar um tempinho do dia pra alguma atividade repetitiva que se goste. Que seja pra deixar a mente completamente vazia ou pra ter reflexões que valham quase cair um tombo de bici, talvez cada um tire desse tempo o que estiver precisando…
Lu ♡
Os melhores do Oscar :)
Por Nut. Luíza Tavares
Quem me conhece sabe que eu adoro uma planilha e ter as minhas coisinhas bem organizadas. Eu também gosto muito de escolher coisinhas pra serem minhas. É uma forma de ter o lazer organizado e, inclusive, de ter uma rotina prazerosa, sem que a fonte de prazer e recompensa seja sempre a comida.
Então, uma das coisinhas - ou melhor, “coisona” - do momento foram os filmes do Oscar. Só que, dessa vez, eu me propus a assistir tudo-tudo-tudo. Ou seja, além dos dez principais indicados, além dos longa-metragem de outras categorias, mas os documentários, curtas e tal. Assisti 40 dos 50 indicados - os pendentes não encontrei em lugar algum, infelizmente.
Assim, esse texto-indicação vai focar nos meus principais comentários, que inclui especialmente os melhores, pra mim, do que está fora dos holofotes.
A melhor experiência desse período: assistam os filmes de curta-metragem
Eu sinto que perdi muito nesses anos por ter deixado essa categoria de lado. Os filmes têm, no máximo, 35 minutos e são como uma dose concentrada de histórias belíssimas e muito bem contadas.
O meu preferido é “Two People Exchanging Saliva” (Duas pessoas trocando saliva, tradução minha). É um primor. Assista sem pesquisar sobre.
Recomendo muito os outros também, “A Friend of Dorothy” (Youtube), um filme muito delicado sobre envelhecimento; “Jane Austen’s Period Drama” (Youtube), uma paródia muito engradaça e “The Singers” (Netflix), com um elenco selecionado a partir de vídeos virais e músicos de rua, é baseado em uma história russa do século XIX, de Ivan Turgev.Importante: vejam os documentários, mas com cautela
Os documentários, tanto longa quanto curta, são muito fortes. Só temáticas muito duras: jornalista morto na guerra da Ucrânia, sistema prisonal do Alabama, retrocesso da legalização do aborto nos EUA, crianças mortas nos tiroteios em escolas, crianças mortas em Gaza, cuidados paliativos em câncer terminal.
Eu realmente acredito que todos são muito bons, mas não tive estômago pra ver alguns desses até o fim - o que, do ponto de vista jornalístico, acho que é essencial. Dito isso, os que eu mais recomendo são “Mr. Nobody Against Putin”, um jornalista que mostra a doutrinação das crianças na escola no período da guerra da Ucrânia. Eu não tinha ideia de como isso acontecia e foi muito interessante entender o impacto da guerra na Rússia, especialmente nas famílias dos soldados. O filme não romantiza, de forma alguma, a situação do país e deixa muito claro que não é comparável com o massacre ucraniano.O outro que indico é “Come See Me In The Good Light” (Apple Tv), sobre o tratamento de câncer da pessoa poeta - não-binária - Andrea Gibson. Os poemas são belíssimos e a história de amor de Andrea e Megan é muito bonita e inspiradora. É um filme sobre a vida, não sobre a doença.
Talvez o que seja mais leve é um que eu não consegui encontrar, “Perfectly A Strangeness” que estrela três burros caminhando juntos até descobrirem um observatório astronômico no Chile.
As animações curta-metragem superam os longas
Sinceramente, nenhuma das animações longa-metragem chegam aos pés do cuidado dos curtas. Fiquei pensando que talvez os curtas sejam feitos para adultos, não crianças. Ao mesmo tempo, comparo com animações passadas, e sinto que o nível caiu muito. Enfim, gostei de assisti-las, me diverti, mas não vejo como imperdíveis, diferentemente dos curtas.
Destaco “The Girl Who Cried Pearls” (Youtube), feito em animação stop-motion, se passa em Montreal, no século XX, onde um menino muito pobre se apaixona platonicamente por uma menina que chora pérolas. É lindo e instigante com menos de 18 minutos de duração.Gostei de ver. Simples assim.
Eu assisti “Sentimenal Value” no cinema, sem saber do que se tratava. O filme me tocou muito, especialmente na relação filha-pai que é a pauta central da obra. Todo o elenco está incrível. Com destaque às mulheres - não à toa todas estão concorrendo ao Oscar, seja de melhor atriz ou coadjuvante. O que eu mais gostei é como elas parecem mulheres e não filtros de Instagram. A atriz principal é Renate Reinsve e as coadjuvantes são Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning.Outro que eu adorei foi “If I Had Legs I’d Kick You”, acho que a Rose Byrn está incrível. A forma como a vida da personagem é desenvolvida, a relação com a filha doente, a ausência paterna, o mundo dela desabando, enfim, uma temática atual e muito bem elaborada, na minha persepctiva.
Eu também gostei muito de Song Sung Blue, estrelado pela Kate Hudson (que concorre a melhor atriz pelo filme) e Hugh Jackman. Esse é bem hollywoodiano, mas, fazer o que, eu também gosto dessas histórias de amor bem cafonas.
Bom, não coloquei o Agente Secreto na lista, mas a minha torcida, obviamente, é por ele e pelo divo Wagner Moura. Ah! Também na torcida por “Train Dreams”, que concorre a melhor fotografia com o brasileiro Adolpho Veloso. O filme realmente é belíssimo e super sensível.
Até a próxima!
Luíza
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Dicas
Dica da Lu
O livro do Murakami eu não li, mas o álbum do Styles eu ouvi e recomendo! Todo querendo ser experimentalzinho (e conseguindo, comparando com o resto da discografia dele). Fazia tempo que eu não ouvia um álbum no repeat então acho que vale a indicação.
Dica da Luíza
Hoje a news foi cheia de dicas, mas como eu gosto de abundância, lá vai mais uma! Esse episódio da Lela Brandão ficou muito tempo na minha cabeça e me ajudou a deixar algumas escolhas e decisões na vida mais leves. Recomendo :)
Tchau!👋
Se alguém estiver sem vontade de pôr o nariz pra fora de casa nesse fim de semana, prestamos um serviço e tanto com a edição de hoje! Recheada de dicas pra todos os gostos, suficientes para curtirem no mínimo até a nossa volta. Até a próxima!
Bjs, Lu e Luíza


