Descascando #60
Luizas na área! Desejamos um bom final de semana e muita energia - por aqui já estamos em ritmo da correria de final de ano.
Viva a fluidez!
Por Nut. Luiza Sobroza
Quantas coisas tuas são tuas e quantas não são? Quantas coisas tuas são verdades verdadeiras, coisas que te definem, e quantas são coisas que em algum momento tu acreditou e depois nunca mais parou pra pensar sobre?
Eu participo de um grupo terapêutico sobre comer emocional na UBS Santa Cecília, campo de atuação da minha residência. E no grupo dessa semana uma participante começou a falar sobre o quanto ela era doida por queijo, e o quanto não podia ter queijo em casa que comia de uma vez até acabar. Mas que por algum motivo, estava com uma peça de queijo na geladeira faz algum tempo e nem lembrava que ele estava lá. E que isso era “muito estranho”.
Deve gerar estranheza mesmo, já que tu tem muitas lembranças sendo essa pessoa “doida por queijo”. Aquilo me deixou pensando até que questionei, “será que tu é doida por queijo mesmo? No sentido de, será que é um traço da tua personalidade a ponto de ser estranho tu ter uma relação mais saudável com aquele alimento? Será que não pode ser tua relação com ele ficando mais saudável e esse estar se tornando o novo normal?” Ficamos refletindo.
Acredito muito que exista um conforto em se dar um título, assim, quando um comportamento que não achamos correto acontece, estamos protegidos por aquilo que “já sabíamos que ia acontecer, afinal, ‘sempre fui louca por queijo’”. Mas quando trabalhamos e pensamos sobre nossa relação com a comida, sem extremismos, nos livrar desse rótulo pode trazer a liberdade de partir do pressuposto de uma relação tranquila com a comida onde, às vezes, podem acontecer episódios de descontrole ou diferentes do planejado, e tudo bem, esses episódios não me definem.
Partir do pressuposto de que a relação é problemática e que o estranho é estar tranquila acaba aumentando a chance de sentirmos culpa e sentimentos negativos em volta da relação com esses determinados alimentos. Quais rótulos são teus e quais tu achava que tinha que te dar? Quais tu pode tentar tirar uma folga pra ver se é teu mesmo? Analisem daí que eu analiso daqui!
Até a próxima!
Lu ♡
Melhorou, mas ainda falta muito: o desfile da Victoria’s Secret
Por Nut. Luíza Tavares
Nessa semana, aconteceu o segundo desfile da Victoria’s Secret depois do hiato de seis anos sem o show. Com o retorno do evento, meu feed do Instagram ficou repleto de imagens de modelos “fora do padrão” - especialmente da Ashley Graham - e com muita gente celebrando a representatividade corporal do desfile - especialmente porque a edição anterior não trouxe modelos diversas.
Bom, eu li tudo, concordo em maioria com os textos publicados, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha e pensei: ok, vou assistir esse negócio. E, como a pesquisadora que sou, eu resolvi contar, uma a uma.
Eu me atrapalhei um pouco porque algumas modelos se repetem e eu acabei não reconhecendo todas - e sem nenhum valor moral aqui de quem reconhece e tá por dentro desse meio da moda. Por isso, eu contabilizei cada vez que uma modelo magra aparecia, mesmo que fosse repetida - e a mesma coisa com modelos “fora do padrão”.
Foi um pouco difícil de fazer isso porque, como podem ver na imagem abaixo, várias delas podem ser consideradas mulheres magras. Contudo, pro padrão “angel”, são mulheres “maiores” - ai, juro, 2025 e a gente ainda tendo esse papo de precisar incluir diversidade corporal de verdade.
A primeira modelo “fora do padrão” apareceu depois de mais de uma dezena de modelos magérrimas. No total, foram 50 aparições de modelos magras e 8 de modelos “fora do padrão” - que nem são mulheres gordas ou com uma adiposidade muito presente. Aquela história: gordas com muito seio, cintura fina. Uma ideia de “gordura pode existir, desde que seja nos lugares certos”.
Ainda que eu reconheça que, de fato, qualquer corpo que seja diferente do corpo extremamente longilíneo e com ossos evidentes, seja um avanço, não consigo celebrar. Falta muito.
Entendo que a diversidade corporal não é definida somente a partir da adiposidade corporal, mas há, ainda, questões de raça, idade, deficiência, gênero - que, no desfile, contou com uma mulher trans, uma atleta (não modelo profissional) e uma gestante, por exemplo, que podem contar, também nesse representatividade. Contudo, o sabor que eu ficou depois de assistir é uma ideia de que cumpriram com a cota mínima de coxa
Até a próxima!
Luíza
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Dicas
Dica da Lu
Eu, enquanto aquariana, tenho dificuldade em assumir clichês. Mas não tem o que fazer, “Paris, Texas” é meu novo filme preferido. A quantidade de sentimentos que senti vendo esse filme é loucura. Minha resenha no Letterboxd foi: “desesperadoramente lindo”. E é lindo esteticamente, de história, absolutamente tudo é lindo. Mesmo sendo um filme de 1984, a Luiza do passado ainda não tinha assistido, o que fez a Luiza do presente ter a oportunidade de assistir remasterizado em 4K no cinema. Acho que vai seguir mais um tempinho em cartaz e essa é a minha dica.
Dica da Luíza
Na onda das séries curtinhas de suspense, recomendo a série “Desobedientes” (Wayard), na Netflix. Um dos personagens principais é um homem trans, Alex, é interpretado por Mae Martin, pessoa não-binária. Além de ser uma produção muito boa - e que vale o hype - fico feliz com esse protagonismo e do avanço, de alguma forma, na representatividade de gênero que a série trás.
Tchau!👋
A Ju tá cuidando da cachorrinha recém castrada e não pode estar conosco hoje. Esperamos vocês na próxima quinzema com o time completo, se tudo der certo :)
Bjs, Lu e Luíza





